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Helena Artmann has a bachelor degree in Communications with a vast experience in PR and the online world. Before moving to Canada in 2005, Helena published a variety of articles in Brazilian magazines and websites, mostly about travel, adventure, outdoor, gear, environment and her favourite activities, mountaineer and hot air ballooning. This is her website: http://artmanncommunications.com

I will miss you, Bernardo!

I will change my subject a bit to post a few words about my good friend Bernardo Collares. Bernardo and Kika Bradford were climbing the Afanassief route on Fitz Roy, in Argentinian Patagonia, this beginning of 2011, when the weather changed and they decided to abort the climb, around 300mt from the summit (the route is one of the longest of Fitz Roy, with around 1,500mt). On the fourth rappel, after Kika descended, the belay failed and Bernardo fell 20 meters, broke his hips and had internal hemorrhage. Kika was able to lower him to where she was, administered first aid, gave him a sleeping bag, food and water and they decided that the best bet was Kika to go down and look for help.

Bernardo

Bernardo

She started the descent with two 50mt ropes, and after 50 rappels she ended the endless wall with two 17mt ropes! A bivouac on the wall without sleeping bag and two days later, she arrived in Chaltén, a little pueblo on the base of the mountain range. After two days, still under the storm, the excellent climbing community reunited in Chaltén decided not to try a rescue, as it was already too late for someone in his condition – and I totally support them. Kika was BRAVE – really brave and probably experienced the worst nightmare of not just a climber but any human being. And I am 100% sure that she is alive because of her extraordinary experience and training.

If you can read Portuguese and want to know more about what goes on in this kind of climb/region, read the impeccable article wrote by Mauricio ToNTo Clauzet here.

I will make this post an exception and post it in Portuguese, as I want to be sure Bernardo will understand every word on the way… 😉

Bernardo ficou para sempre na parede do Fitz Roy, na Patagônia Argentina, na primeira semana deste ano de 2011. Recebi a notícia com um grito: susto, desespero, tristeza e a vontade de coçar o olho para ler o nome correto, já que não podia ser ele. Não ele. O Bernardo, não. Mas era.

Conheci Bernardo quando ele começou a escalar, há 15 anos. Não lembro do curso básico dele no Clube Excursionista Carioca (CEC), mas lembro de ir escalar com ele de manhã, em um dia de semana, antes do trabalho, na Urca – hábito que se tornou comum e marca registrada dele: escaladinha antes do trabalho! Ele estava tão no começo que não guiava ainda… E eu o guiei. Ha! Eu.

Viajei com ele algumas vezes – pelo clube, sem ser pelo clube. Já nem lembro de quantas fizemos. Mas lembro de Salinas, do Cipó e de inúmeros encontros Rio de Janeiro afora. Lembro quando ele começou a participar da diretoria do Carioca e eu via nascendo, ali, o político impecável que era e que ficou à frente da Federação dos Esportes de Montanha do Rio de Janeiro por mais de dez anos. Mais do que isso, foi ele quem a fundou, a partir da antiga Interclubes, que ele também ajudou a formar. Mexia daqui, conversava dali, e sempre me levava com ele nas diretorias da vida. Assim, fiquei na diretoria da FEMERJ por uns cinco anos e só saí depois que vim morar no Canadá e muito insistir.

Não que ele não tenha tentado ou querido sair da presidência da FEMERJ. O problema é que não tínhamos substituto à altura. E assim ele ía ficando e aguentando todo tipo de crítica, como quando disseram que ele usava dinheiro da Federação… Ele, que pagava contas mensais mais altas do que as próprias, do próprio bolso, para sustentar a mesma Federação. Ele, que doava o próprio tempo para organizar a atividade que tanto amamos. Ele, que pagava viagens do bolso, entre tantas outras coisas, para participar de encontros e levar as idéias da nossa federação Brasil afora.

Bernardo tinha a rara capacidade de agradar gregos e troianos. E encontrar ajudantes e voluntários para tudo que precisava. Foi assim que conheci o Ricardo Barcellos, meu marido, designer gráfico prestando trabalho voluntário para a Femerj, sob a constante coordenação do Bernardo. Foi por isso que ele foi um dos pouquíssimos amigos convidados para o nosso casamento em família. Ele, sempre contra casamento apesar de ter sido casado, me disse que o nosso casamento ‘foi muito maneiro’. Que, assim, ele até casava! 😉

Há cinco anos e meio moro no Canadá. Fui ao Brasil duas vezes neste período e, nas duas, encontrei o Bernardo. Na primeira vez, apresentei meu filho Ian, então com sete meses, para ele, que logo pegou meu filho no colo – gesto este que repetiria quando nos encontramos novamente, há um ano, quando fui ao Brasil pela segunda vez.

Lembro de histórias engraçadas dele, como quando perguntaram o que era uma urna que estava em cima de sua mesa de trabalho. ‘Papai!’ respondeu, com uma gargalhada. Aliás, em todos estes anos, nunca vi Bernardo de mau humor. Nunca vi Bernardo irritado. Pelo menos, não durante as constantes reuniões de diretoria da Femerj ou em lutas incansáveis para conseguir o que queria e que achava que era nosso de direito, como o acesso às montanhas.

Nesta última semana, li um texto de um dos irmãos do Bernardo falando que ele não quis ter filhos. Mas Bernardo deixou um monte de órfãos… O montanhismo brasileiro ficou órfão. Como disse o Miguel Freitas, amigo de anos do Carioca, ‘quem vai nos resgatar agora?’, já que Bernardo era o cara para quem ligavam quando alguma coisa acontecia na montanha – todos sabiam que podiam contar com ele.

Já tem quase duas semanas que o acidente aconteceu e só agora consigo escrever umas linhas. Hoje, uma homenagem foi feita na Urca, no Rio de Janeiro, e como eu queria ter estado lá. Mas sei que ele sempre teve um lugar garantido no meu coração e ali vai ficar para sempre.

Obrigada, Bernardo, por tudo que você fez pelo montanhismo brasileiro. Obrigada, Bernardo, por nos mostrar o caminho. E muito, mas muito obrigada por ter compartilhado um pouco da sua (riquíssima) vida comigo.

Helena

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2 Comments on “I will miss you, Bernardo!”

  1. Patricia Lobao Peres March 10, 2011 at 2:07 pm #

    Helena,
    I was deeply touched with your words! Wonderful text!
    I would like to invite you and your readers to visit Bernardo’s page on Facebook, where his mother is writing the truth about the accident and the non-rescue.
    Regards
    Patricia

Trackbacks/Pingbacks

  1. December. December? « Simmering - December 7, 2011

    […] forward to this encounter and 2011 was the year. It was also the year that I lost my dear friend Bernardo Collares Arantes. I still miss you, Bernardo… and I will […]

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